É possível perder a salvação, se ela nos foi concedida pela graça de Deus? (3)

predestinacao

Leonardo Bruno Galdino disse:

Pr. Ciro, sinceramente, a posição defendida pelo irmão faz com que a expiação de Cristo seja insuficiente para salvar, porque, se um crente pode perder a salvação, esta depende, em última instância, do próprio pecador, o que é um insulto à Soteriologia Bíblica. A doutrina da “insegurança da salvação”, que é a que o irmão parece defender, além de Pelagiana (e “Semi-pelagiana”, também) não tem nenhum respaldo das Escrituras.

Não consigo imaginar Jesus dizendo que suas VERDADEIRAS ovelhas poderiam se perder. Ao contrário, ele diz que elas ouvem a voz do seu pastor (Jo 10.3ss). Também não consigo imaginar Paulo dizendo coisas do tipo: “estou em dúvida se Deus vai guardar o meu depósito até àquele Dia mesmo. Sei lá” (cf.2Tm 1.12). Judas diz que Deus “é poderoso para vos guardar de tropeçar, e apresentar-vos irrepreensíveis, com alegria, perante a sua glória” (Jd v.24).

A posição que eu defendo está baseada na Bíblia. No Juízo Final, cada ímpio será condenado “segundo as suas obras” (Ap 20.12). O sangue de Jesus não será suficiente para salvá-los da condenação? Por que eles serão condenados? Por rejeitarem o Senhor Jesus e a sua obra vicária. Como? Mediante a permanência em obras carnais (1 Co 6.9,10; Gl 5.16-21), quer antes, quer depois de terem conhecido o Senhor Jesus (Hb 6.4-6; 2 Pe 2.20-22).“conservai a vós mesmos na caridade de Deus, esperando a misericórdia de nosso Senhor Jesus Cristo, para a vida eterna” (v.21).

O Senhor não teve prazer em tirar de Esaú o seu direito à primogenitura, mas este foi profano e perdeu-a (Hb 12.16). Por isso, no próprio livro de Hebreus há recomendações para os salvos como: “Vede que não rejeiteis ao que fala; porque, se não escaparam aqueles que rejeitaram o que na terra os advertia, muito menos nós, se nos desviarmos daquele que é dos céus” (12.25) e “Vede, irmãos, que nunca haja em qualquer de vós um coração mau e infiel, para se apartar do Deus vivo… para que nenhum de vós se endureça pelo engano do pecado” (3.12,13).“em Cristo”: Ef 2.1-6); progressivo, no presente (a nossa parte, como salvos: Hb 12.14); e perfectivo, no futuro (a nossa glorificação: Rm 13.11).“ignorantes” pentecostais ou assembleianos. Estes, em geral, são considerados, por boa parte dos predestinalistas, uma classe inferior e ignorante (os pobres arminianos), detentora de uma argumentação “fraquinha” a respeito da soteriologia… Não é isso que se lê em muitos debates na Internet? Por isso, não se indigne com o emprego, repito, didático do termo “predestinalista”.

Finalmente, não estou aberto a debates, mas posso conversar com o irmão, se desejar. Nos debates sobre esse assunto (há muitos na grande rede) vejo que um quer mostrar que sabe mais que o outro, numa sequência sem fim. E esse não é o meu objetivo. Creio que o melhor caminho é o da convergência, a fim de que prevaleça a Palavra de Deus, e não o meu ou o seu pensamento.

O irmão ainda se refere aos reformados como “predestinalistas”, termo esse, ao meu ver, um pouco pejorativo. Não sou calvinólatra, muito menos qualquer outro adjetivo escuso que pessoas de outras persuasões gostam de nos tachar. Apenas reconheço na teologia desse grande reformador uma expressão fidedigna dos ensinos da Palavra. Recomendo ao irmão que leia obras como Por quem Cristo morreu, de John Owen (Ed. PES), ou mesmo As Institutas, de Calvino, bem como qualquer de seus comentários bíblicos (Ed. Fiel) para que o irmão procure qualquer brecha hermenêutica tendenciosa nesses escritos. Acho que me alonguei demais. Estou aberto a debates, se o irmão quiser. Um grande abraço!

Minha resposta:

Caro Leonardo Bruno Galdino,

É claro que a expiação de Cristo é suficiente para salvar o pecador, mas isso não exclui a sua responsabilidade.

O seu raciocínio, aparentemente lógico, é simplista, posto que o irmão afirma: “se um crente pode perder a salvação, esta depende, em última instância, do próprio pecador”. É óbvio que eu não defendo isso! A segurança da salvação depende inteiramente da confiança na suficiência da graça de Deus (Jo 15.1ss; 10.27,28).

Mas não se esqueça, caro irmão, de que o crente salvo pela graça deve andar em boas obras (Ef 2.8-10; 2 Pe 1.5-9; Cl 3.1ss). E estas obras nos acompanharão, não apenas para efeito de galardão (Ap 14.13; 3.5,11). Os salvos que cometem obras carnais e nelas permanecem “não herdarão o reino de Deus” (1 Co 6.9-11; Gl 5.21).

Insulta-se a soteriologia bíblica quando se despreza o que as Escrituras dizem, interpretando-a à luz do predestinalismo. Isso, sim, é um ultraje, além de não ter o abono da Palavra de Deus. Mas afirmar que o crente, apesar de seguro em Cristo, pode vir a perder essa segurança, caso deixe de estar em Cristo por causa de seus desvios, é totalmente bíblico! Textos como Hebreus 6.4-6, 2 Pedro 2.20-22 e Apocalipse 3.5 são claros quanto à possibilidade de perda de salvação.

Na verdade, como o irmão, eu também não consigo imaginar Jesus dizendo que as suas verdadeiras ovelhas se perderão. No entanto, se estas apostatarem da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores e a doutrinas de demônios (1 Tm 4.1), bem como negarem aquEle que as resgatou (2 Pe 2.1) e caírem (Hb 6.6), com certeza perderão a preciosa salvação, tendo os seus nomes apagados do livro da vida (Ap 3.5, ARA).

Paulo disse que Deus guardaria o seu depósito (2 Tm 1.12) porque Ele de fato combatia o bom combate e guardava a fé (2 Tm 4.7,8). No entanto, ele também disse a Timóteo: “… guarda o depósito que te foi confiado, tendo horror aos clamores vãos e profanos e às oposições da falsamente chamada ciência; a qual professando-a alguns, se desviaram da fé” (1 Tm 6.20,21). Observe como Paulo temia que o obreiro Timóteo, salvo em Cristo, pudesse se desviar da fé, à semelhança de “alguns”!

Deus é, sem dúvidas, poderoso para nos guardar de tropeçar, a fim de apresentar-nos irrepreensíveis, com alegria, perante a sua glória (Jd v.24). Mas Ele guarda os vigilantes e perseverantes (Mt 24.13,42-44; Lc 21.36; 1 Co 15.1,2). Na própria Epístola de Judas, a Palavra de Deus assevera:

É importante confrontar todas as referências acima (que mencionam claramente a possibilidade de o salvo desviar-se, além de seu coração se tornar duro, infiel e mal) com a falácia predestinalista de que Deus põe no coração dos eleitos a santidade, e isso é o bastante. O salvo não é um robô ou um ser autômato! Biblicamente, a santificação possui três aspectos: posicional, no passado (

Outrossim, eu não me refiro aos reformados como predestinalistas. Eu me refiro aos predestinalistas como tais. Por que emprego esse adjetivo? Porque não sou inimigo de Calvino. Reconheço o que há de positivo na obra desse grande, mas falível — e infidedigno, por conseguinte — reformador (1 Pe 1.24,25). Por outro lado, eu também não me considero arminiano, haja vista reconhecer os desvios de Armínio. Não é pejorativa a minha adjetivação, e sim didática. Quem são os predestinalistas? Os que defendem aqueles cinco pontos “irrefutáveis” do calvinismo.

Agradeço-lhe pela indicação das aludidas obras. As Institutas e a Editora Fiel eu conheço muito bem. Mas, em vez de eu procurar “qualquer brecha hermenêutica tendenciosa nesses escritos”, prefiro seguir à recomendação bíblica: “julgai todas as cousas, retende o que é bom” (1 Ts 5.21, ARA).

O irmão não se alongou, não. Foi sucinto e objetivo. E um pouco enérgico — o que é uma reação comum dos predestinalistas (sem nenhuma pejoratividade) que são, de alguma forma, contrariados pelos

Um grande abraço para o irmão também!

Ciro Sanches Zibordi

http://cirozibordi.blogspot.com

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